A Prefeitura de Manaus apresentou uma justificativa polêmica ao Ministério Público do Amazonas para explicar o abandono da passarela na Avenida Torquato Tapajós. De acordo com o documento oficial enviado pela Seminf, o município não possui orçamento disponível para custear os 2,7 milhões de reais necessários para a reconstrução da estrutura.
Por esse motivo, a administração municipal tenta se amparar em decretos de encerramento de exercício financeiro para mascarar a falta de planejamento. Por consequência desse descaso, a população enfrenta o perigo diário de atravessar uma das vias mais rápidas da capital a pé. Assim, fica evidente que o cuidado com a infraestrutura básica perde espaço para outros interesses no calendário da prefeitura.
Milhões para eventos e migalhas para o povo
A alegação de falta de verba soa contraditória diante dos gastos exorbitantes da atual gestão com publicidade institucional e festivais de grande porte. Segundo dados do próprio orçamento municipal, a prefeitura destina fortunas para promover sua imagem e realizar eventos como o Sou Manaus, que consome dezenas de milhões de reais.
Por esse motivo, a população questiona como uma obra de 2,7 milhões pode ser considerada inviável para uma cidade que arrecada bilhões anualmente. Por consequência dessa escolha política, o conforto de grandes artistas em palcos luxuosos parece valer mais do que a segurança dos trabalhadores na periferia. Consequentemente, o Ministério Público agora apura se houve omissão deliberada para favorecer gastos supérfluos em detrimento de serviços essenciais.
Vereador denuncia farra de gastos com propaganda
O vereador Rodrigo Guedes reagiu com indignação à resposta da prefeitura e expôs a discrepância entre os discursos oficiais e a realidade financeira do município. O parlamentar destacou que a gestão atual já administrou 41 bilhões de reais e gasta quantias astronômicas para se autopromover.
“A prefeitura, que nesses cinco anos de gestão já teve 41 bilhões de reais, 50 milhões de reais no Sou Manaus, não tem dinheiro, segundo ela, para reconstruir a passarela da Torquato Tapajós”, disparou Guedes em denúncia nas redes sociais.
O argumento de que não houve empenho ou reserva de recursos revela uma gestão que privilegia o marketing em vez da vida dos cidadãos. Por consequência dessa denúncia, cresce a pressão popular para que o dinheiro gasto em propaganda seja redirecionado para concluir a passarela destruída há sete meses.
A passarela caiu no dia 6 de julho de 2024, após uma carreta que transportava três maquinários pesados colidir com a estrutura, em frente ao Conjunto Hileia. No momento do acidente, o veículo levava um trator, uma retroescavadeira e um rolo compactador.
À época, o diretor-presidente do Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU), Paulo Henrique Martins, estimou que a obra de reconstrução da estrutura levaria cerca de seis meses.
Já no ano passado, a prefeitura disse que ia arcar com a reconstrução. No entanto, desde então, nada saiu do papel.

