A Superintendência da Polícia Federal do Amazonas ainda não concluiu a perícia em quatro aparelhos celulares apreendidos durante a eleição municipal de 2024. Os dispositivos pertencem a líderes religiosos suspeitos de articular um esquema de compra de votos em benefício do atual prefeito de Manaus, David Almeida.
A apreensão ocorreu poucos dias antes do segundo turno do pleito, mas os dados contidos nos telefones permanecem sem análise técnica após um ano de investigação. Por essa razão, o andamento do inquérito que apura crimes eleitorais na capital amazonense sofre um atraso significativo.
Detalhes do flagrante em centro de convenções
Os agentes federais prenderam os pastores Flaviano Paes Negreiros e Werter Monteiro Oliveira no centro de convenções de uma igreja evangélica na época dos fatos. A equipe policial localizou R$ 21 mil em espécie, que estavam distribuídos em envelopes numerados destinados a eleitores específicos.
Além do dinheiro, uma lista de presença detalhada indicava a organização do grupo para a distribuição ilícita de valores. Conforme os depoimentos colhidos, outros R$ 38 mil já haviam sido entregues aos beneficiários na noite anterior à operação.
Conexões políticas e implicações criminais
O nome do prefeito David Almeida aparece citado seis vezes no auto de prisão lavrado pela Polícia Federal durante o flagrante. O pastor Flaviano afirmou, em depoimento oficial, que os recursos financeiros foram fornecidos por um fiel da igreja ligado diretamente à campanha do prefeito.
Os envolvidos utilizaram o pretexto de discutir o progresso da comunidade para atrair os eleitores e realizar os pagamentos indevidos. Portanto, os detidos respondem pelo crime de corrupção eleitoral em liberdade após o pagamento de fiança, enfrentando penas que podem chegar a quatro anos de reclusão.

