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86% das Favelas do Estado do AM Estão em Manaus; Capital Concentra Crise Habitacional

Amazonas – Os dados detalhados do Censo Demográfico 2022, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), traçam um perfil dramático da habitação no Amazonas. O estado contabiliza 453,1 mil domicílios, abrigando cerca de 1,4 milhão de pessoas, em áreas classificadas como favelas e comunidades urbanas. Essa população massiva, equivalente a quase toda a Região Norte fora da capital, está esmagadoramente concentrada em Manaus.

A Concentração na Capital

Manaus é o epicentro dessa realidade informal:

  • A capital sedia 60% das 398 favelas mapeadas no Amazonas.
  • Manaus responde por impressionantes 86% dos domicílios situados nessas áreas informais no estado.

As três maiores aglomerações em Manaus, em termos de volume de residências, são: São Lucas (17.821 domicílios), Cidade de Deus / Alfredo Nascimento (17.632) e Zumbi dos Palmares / Nova Luz (11.273).

O Paradoxo da Infraestrutura: Pavimentação vs. Acessibilidade

O levantamento do IBGE revela um paradoxo na urbanização dessas comunidades. Embora a maioria dos moradores viva em áreas com algum grau de infraestrutura básica, as condições de acessibilidade e mobilidade são alarmantes, expondo uma profunda desigualdade em relação às áreas formais.

Indicador UrbanoFavelas/ComunidadesÁreas Formais
Vias Pavimentadas91,9%Alta
Vias para Caminhões/Ônibus80%Alta
Iluminação Pública91,6%98,3%
Calçadas Presentes70,5%92,4%
Ponto de Ônibus na Via6,6%
Rampas para Cadeirantes1,7%14,6%

O dado mais gritante de Manaus é a mobilidade: apenas 6,6% dos domicílios em favelas têm um ponto de ônibus ou van na própria via. A ausência de rampas para cadeirantes (presente em míseros 1,7% das vias) e a diferença na presença de calçadas mostram que a urbanização se deu de forma incompleta e desigual.

O maior número de moradores foi encontrado na Cidade de Deus/Alfredo Nascimento, na Comunidade São Lucas e no Zumbi dos Palmares. Confira a lista abaixo.

O Fator Ambiental e Fluvial

O Censo também aponta para questões ambientais. A arborização nas vias das favelas é significativamente menor (36,2% contra 55% nas áreas formais), indicando maior déficit de conforto térmico e verde.

Por fim, o IBGE identificou uma realidade tipicamente amazônica: 249 domicílios localizados em áreas de aquavias, que abrigam 966 moradores, onde a circulação e o cotidiano dependem totalmente das vias fluviais.

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