Manaus encerrou a primeira semana de janeiro de 2026 com os maiores preços médios de combustíveis entre todas as capitais brasileiras. De acordo com os dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a cidade ocupa o primeiro lugar tanto no valor da gasolina comum quanto no do etanol hidratado. Por esse motivo, os motoristas manauaras enfrentam preços que ultrapassam a marca de 7 reais por litro nas bombas. Por consequência, a diferença para outras capitais, como Vitória, chega a atingir quase 80 centavos por litro no combustível fóssil. Assim, o custo para abastecer na região Norte permanece como um dos maiores desafios para o orçamento das famílias no início deste ano.
A análise da ANP abrangeu centenas de estabelecimentos em todo o território nacional entre os dias 4 e 10 de janeiro. De acordo com o relatório, o preço médio da gasolina comum em Manaus fixou-se em 7,09 reais, enquanto o etanol atingiu a média de 6,29 reais. Por esse motivo, especialistas apontam que a logística de transporte fluvial e a carga tributária estadual contribuem para a elevação dos custos operacionais. Por outro lado, a professora Carla Souza relatou que o uso do etanol deixou de ser vantajoso na capital amazonense devido à proximidade de valor com a gasolina. Assim, a competitividade do biocombustível desapareceu completamente no mercado local em comparação com os estados das regiões Sul e Sudeste.
Ministério Público move 33 ações contra postos por suspeita de cartel
O cenário de preços elevados motivou uma ofensiva jurídica por parte do Ministério Público do Amazonas (MPAM) nos últimos meses. De acordo com a 51ª Promotoria de Justiça de Defesa do Consumidor, existem 33 ações civis públicas protocoladas contra postos suspeitos de combinar valores de forma simultânea. Por esse motivo, os investigadores apuraram que os estabelecimentos mantêm preços muito próximos em diferentes zonas da cidade, o que caracteriza uma possível infração à ordem econômica. Por consequência, o processo busca penalizar as empresas que ajustaram as tabelas sem uma justificativa econômica clara, como o aumento real de insumos ou tributos federais.
As investigações do órgão ministerial tiveram início ainda em 2023 após uma série de denúncias enviadas pelos próprios consumidores. De acordo com o MPAM, os nomes dos postos e os endereços envolvidos nas ações permanecem em sigilo processual durante o andamento das diligências. Por esse motivo, a fiscalização da Prodecon segue monitorando as variações diárias para evitar que novos aumentos coordenados prejudiquem a população. Por outro lado, a conclusão do inquérito civil demonstrou que a prática de cartel é um dos principais fatores para a manutenção dos preços em patamares tão elevados. Assim, a solução para a redução dos valores nas bombas depende agora do desfecho dessas medidas judiciais. Portanto, o mercado de combustíveis em Manaus permanece sob rigorosa vigilância das autoridades de defesa do consumidor.

